And the winner is…

2 set

De vez em quando eu brinco de não fazer mais algo que está na minha rotina. Tipo pintar as unhas. Ultimamente, só frequento o salão uma vez por mês. E mesmo assim, só porque meu desapego não é assim, tão verdadeiro. É só um exercício: estou praticando um desapego bem singelo e zen.

Sabe quando a gente começa a achar uma palavra estranha só porque começamos a repeti-la muitas vezes? É assim que sinto com minhas unhas. Eu olho pra elas e pergunto, porque tenho que pintá-las?

Tenho uma bolsinha cheia de esmaltes. Cores variadas. Super bem guardadas. Mas a vontade de usar alguma delas? Não acho. Não vejo sentido. E minha unha fica fraca, quebra, fica fina, ressecada e eu não me incomodo. O máximo que eu faço é usar um hidratante. Pronto.  Não é que eu tenha deixado a vaidade de lado eu só não consigo entender uma cor na minha unha. Hidrato as coxas, raspo o sovaco, depilo a virilha, faço ginástica, tomo whey protein. Mas pintar a unha? Parece estranho demais pra mim.

Acho que o que eu quero mesmo é tirar um peso. Eu costumava colocar sempre com uma cor estranha de esmalte. E as pessoas falavam, riam, ficavam intrigadas. E eu sempre pensava: mas que merda! É só um esmalte. Eu fico comentando o que você come no almoço, por acaso? Já imaginou se vou almoçar com um colega guloso e fico sempre apontando pro prato dele o tipo de escolha que ele fez? Ou se digo que comer uma torta de chocolate todo dia vai fazer ele engordar? Não é uma invasão de privacidade? Mas o pior não é a exposição, tem gente que gosta. O pior é a competitividade.

Sou muito competitiva. O problema é que eu não sou uma competidora dedicada não. E, apesar da falta de treinamento, vamos dizer assim, eu sempre acho que o acaso vai me proteger. Só me lasco na emenda. Eu e meu “big ego”.

Uma vez, inventei que devia ser uma maratonista. Treinei muito. Tardes maravilhosas voltando de caga-lona para casa. Liberdade total. Era tudo tão bom e ficou melhor, fui convocada pra participar de um super campeonato. No fundo eu sabia que não estava pronta mas, se meu técnico não me dizia nada, pensei ser um desses enganos da natureza esportiva. Como se chama mesmo isso? Azarão? Que nada. Nada de azarão. Resultado, fiquei em último. Mas não em último normalzinho. Eu JURO que vi algumas atletas até tomando refrigerante de canudinho, massageando os pés, retocando o rabo de cavalo, só esperando por uma pessoa quase engatinhando, pra poder subir no podium.

Eu compito ( que palavra É ESSA?) com meu marido, gente. Dá pra imaginar? Minha família ama meu marido. E isso é ótimo. Dia desses meu primo, que é como um irmão mais velho, andou dizendo na obscuridade das fofocas familiares que gostava mais do meu marido do que de mim.

Oi?

Superei. Ri de mim mesma. Superei muitas coisas. Nunca mais inventei de ser atleta na vida e passei a fazer de conta que não ligava pra essas coisas de primeiro, segundo, terceiro, último lugar.  Aiai, anos vivendo na negação. Eu sempre quis ser a melhor, que falsidade!! Eu até me acho a melhor em muitos aspectos. Na maioria deles, eu posso dizer que sou até, um gênio mal interpretado (A louca do Juliano Moreira). Voltando. O pior nunca foi a negação. O pior era que, sem ligar pra nada, as pessoas também não ligam pra você.

Ó mundinho imbecil, hipócrita e dominante.

Minha amiga ficou com o cara que eu estava apaixonada? Duas vezes. Mentira, uma vez. A outra vez foi só uma amiga que ficou com um ex-namorado. Recente. Um ex recente. Achei meio nojento. Pegar rebarba, cara? Tenha dó.

Ganhando ou perdendo, hoje em dia me considero uma super vencedora, pelo menos na maioria das vezes. Tenho um marido bacanérrimo (tira o olho gordo), família maravilhosa, pais presentes, amigos especiais. Perto dos 30, chega a tão esperada hora de “la verdad”. A palavra de ouro que não quer calar. Eu ligo bem muito!! Pra mim. Eu ligo pra mim. E não ligo a cobrar não. Ligo DDD.

Mas as unhas, eu não quero mais fazer.

11 Respostas to “And the winner is…”

  1. Raphael 02/09/2010 às 16:36 #

    Ah faz as unhas sim. Nada de não fazer unha. Eu heim. Ta achando que é assim, que pode andar pelo mundo impunemente de unhas não feitas? Quer o que com isso? Ta com preguicinha é? AH TA COM PREGUICINHA?

    BJUS XODADI

    ps.: Eu tb ja passei por isso, quase morri de ri aqui com o episodio da corrida. Eu me achava o baixinho mais foda do colégio, era o mais protegido dos professores, e o mais atacado pelos alunos. Bullyng mesmo, e dos sérios(rs), um belo dia nas olimpíadas os professores resolveram me dar um apoio sabe? BEM PEDAGOGICO. Resultado foi o mesmo seu. Não só fiquei em último, mas quase não cheguei. Os vencedores já tinham inclusive deixado a pista, ido brincar, sei la, cagar no banheiro. Eu nunca esqueci aquele fracasso. Não foi nada encorajador. Mas passou né, ja to bem grandinho, porra. (será?)

    • Lia Valengo 02/09/2010 às 17:03 #

      Vou pensar no seu caso, das unhas. hehehehehe

  2. Raphael 02/09/2010 às 16:37 #

    MORRIDERI DE RI.

  3. @aperteoalt 02/09/2010 às 17:40 #

    Hahaha… bom demais.
    Difícil é equalizar a coisa entre ser looser e ter superado…rs
    Eu vou no coro do “superei”.
    Ainda bem que não tenho problemas com as unhas… ;-)

    • Lia Valengo 02/09/2010 às 18:02 #

      Superar, sempre. MAs que as bruxas existem, existem.

  4. Tyara 03/09/2010 às 09:37 #

    “Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
    Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo”
    Pois é Lia. É por isso que eu prefiro as loucas do Juliano Moreira, mas as unhas, eu adoro fazer e de vermelho.

    • Lia Valengo 03/09/2010 às 10:02 #

      Tyty, eu só quero saber é quando vc virá dar uma passadinha aqui, no hospício carioca.

  5. Tyara 03/09/2010 às 10:56 #

    A evasão das bucólicas colinas campieniras vai rolar mais cedo do que imaginas, ando precisando de uma loucura 40º. Aliás, eu e Quel estávamos especulando sobre isso.

  6. Leo Valpassos 06/09/2010 às 18:06 #

    “O pior era que, sem ligar pra nada, as pessoas também não ligam pra você.”

    Eu sempre leio seus textos destacando uma parte. Essa parte diz muita coisa.

    Agora, em relação às unhas, eu também não faço há um bom tempo. Há uns 26 anos.

    • Lia Valengo 08/09/2010 às 11:31 #

      :) ainda bem que você não faz a unha, nada mais brega que homem de base. hehehehe

  7. quel 08/09/2010 às 11:32 #

    “ando precisando de uma loucura 40º”

    doida pra arrumar as malas e dessarrumar a rotina.

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