Lia Valengo

Tem gente que precisa acordar e se elogiar antes de sair pelo mundo. Eu não. Adrenalina pra mim foi começar a encarar a verdade. O problema, talvez, foi que eu me excedi um pouco, mas tudo bem.

Não acredito em elogio e não acredito na maioria. Estou sempre desconfiada e um pouco triste. Mas sou que nem cachorro ansioso, basta um carinho pra me deixar contente.

Gosto de piada sem graça, gosto de pessoas legais, gosto de pessoas boas.

Não aguento ver ninguém sofrer. Nenhum ser humano. Fui agraciada pelo gene da empatia. Mas acredito no karma como quem acredita que Jesus morreu pregado na cruz. Por isso não mato baratas mas, assumo que não gosto de animais domésticos. A ironia é que eu vivo sonhando com bicho, de cavalo a hipopótamo.

Amo o mar porque minha droga é olhar para o horizonte.
Coleciono pedras por causa do meu pai. Ele me deu a primeira e me fez guardar como se fosse um amuleto.

Sou bastante coisa por causa do amor da minha mãe. Sou bastante coisa por causa das mulheres que me rodeiam.

Aprendi com meu Pai sobre trabalho pesado, sobre ética, sobre honra, sobre ser fiel a si mesmo, mesmo que isso custe um pouco de isolamento social.

O budismo me salvou da culpa cristã, depois me salvou do próprio Budismo.

Casar me salvou da falta de fé. Lanusse me salvou de mim. Eu acredito no casamento de verdade porque casei com minha alma gêmea.

Morro de vergonha quando mentem na minha frente. Morro de vergonha quando mentem pra si mesmo. Morro de vergonha quando a mentira vira um consenso. Morro de vergonha de quem elogia por formalidade mas, sou a favor de elogiar um amigo pra ele se sentir melhor.

Tenho vontade de ser mãe como consequência natural da vida mas, não sou a pessoa mais fofa do mundo com crianças.

Não sou a pessoa mais fofa do mundo com ninguém mas isso é culpa do sol em Áries.

A feminilidade nunca foi uma realidade fácil. Meu pai vivia dizendo para eu ser mais delicada. Custou para eu me aceitar assim, um pouco destrambelhada.

Resolvi o sexo com muita naturalidade na vida. E é por isso que eu não entendo porque ele é um assunto tão polêmico.

Odeio preconceito do fundo do meu coração.

Fico envergonhada na frente de homens bonitos demais. Mas sempre preferi os de beleza incomum. Gosto de pessoas autênticas mesmo que eu não seja bem uma delas.
Meu maior desejo na vida é concentrar toda a minha energia espiritual, todo esse vento que faz meu coração bater pra contar uma história.
A minha, a sua, a história da vida.

Não acho fácil envelhecer principalmente porque ainda me vejo como criança, mas não tenho medo da morte. Acho que viver muito não é higiênico.

Falo muita bobagem e mudo de opinião o tempo todo.

Ainda quer falar comigo?

liavalengo@gmail.com

3 Respostas para “Lia Valengo”

  1. Clau 18/06/2010 às 12:57 #

    Minha amiga linda!!!! Saudades!!!!

  2. lanusse 01/07/2010 às 17:04 #

    Lia, Marília, sabe tudo e um pouco mais. E é linda assim de nascimento mesmo. O Mar dela já veio no nome, e isso explica mais coisa do que se pode imaginar.

    Mas se você é capaz de ver, ouvir e sentir a chuva caindo numa terra seca, sentado numa varanda de batente, vai entender o que ela está falando. Se não, paciência. Paciência é bom, deixa a gente mais bonito com o tempo…

  3. Isabela Valengo 16/09/2011 às 20:03 #

    Falar contigo, eu preciso. Essa é você, tão linda, tão simples. Lila querida, seremos todos a mesma terra perdida, nenhum de nós saberá das dores que sofremos, por isso admiro tanta lucidez, e tanta beleza no que pensa e diz. Te amo……

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